Lean Inception: como construir uma ideia no menor tempo possível

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Lean Inception: como construir uma ideia no menor tempo possível

Durante o desenvolvimento de uma ideia (ou reformulação de uma já existente) é normal surgirem desafios inesperados. Porém, quando os esforços e investimentos são grandes e há muita coisa posta em jogo, precisamos evitar ao máximo correr esses riscos. Como forma para contornar esse cenário e obter uma ideia consistente no menor tempo possível, há o método Lean Inception.

O que é o método Lean Inception?

Traduzindo Lean Inception para o português, tem-se “lean”, que quer dizer “enxuto”, e “inception”, que seria “começo” ou “início”. Lean Inception seria, então, um “começo enxuto”, como uma resposta à necessidade de se criar um produto, entregá-lo ao cliente o mais rápido possível e satisfazê-lo de acordo com suas necessidades. 

Na junção dessas duas palavras, o termo “lean” é oriundo da metodologia de gestão Lean Startup (proposto por Eric Ries), cuja abordagem envolve a identificação e eliminação de desperdícios nos processos. Esta proposta geralmente é utilizada para projetos no contexto de tecnologia e é inspirada pelo Modelo Toyota de Produção. E o termo “inception”, que é procedente da primeira etapa do Rational Unified Process (RUP), criado pela Rational Software Corporation. Por sua vez, o RUP é uma metodologia ágil utilizada para orientar o desenvolvimento de softwares. Esse método possui 4 etapas: inception, elaboration, construction e transition; na etapa de inception, uma equipe define os primeiros passos do projeto e analisa sua viabilidade. 

Esse conceito foi proposto pelo brasileiro Paulo Caroli, engenheiro da computação que trabalhou alguns anos em startups no Vale do Silício. Depois de um tempo trabalhando com desenvolvimento de projetos, Paulo percebeu a necessidade de as empresas se tornarem mais colaborativas. Suas vivências o levaram a escrever o livro Lean Inception: como alinhar pessoas e construir o produto certo, no qual ele apresenta como surgiu a ideia de juntar essas duas metodologias, explica o passo a passo e relata algumas experiências. 

A proposta da Lean Inception consiste, então, em mesclar essas duas metodologias e aplicá-las num workshop, no qual um grupo de pessoas praticam atividades e alinham propósitos para definir os aspectos fundamentais de uma ideia e estabelecer um Produto Mínimo Viável (MVP). 

A Lean Inception possui muitos pontos em comum com a dinâmica do Design Sprint. Inclusive, ambas surgiram no mesmo contexto, dentro do Vale do Silício. O que distingue as duas é que a solução final do Design Sprint é um protótipo; já na Lean Inception, o resultado é um plano para o MVP.

Temos um artigo para te explicar o que é Design Sprint e como usar essa metologia.

O que é MVP?

O objetivo de um MVP (Minimum Viable Product) é ser a versão mais simples e enxuta de um produto, empregando o mínimo possível de tempo e investimentos, para que possa ser validado por usuários e entender se a proposta é viável, mesmo antes de o produto ser finalizado.

Apesar de ser uma versão mais básica do produto, um MVP deve possuir as principais características, funcionalidades e pontos fortes; também precisa possuir as soluções para os problemas para o qual foi criado.

Nas palavras do próprio Caroli, “não é por entregar um MVP que o produto é ruim ou simplório. Não se deve confundir inacabado com ruim, simples com simplório, incompleto com incompetente. O MVP deve ser factível (de ser criado), facilmente usável e gerar muito valor.” Dessa forma, é possível oferecer ao consumidor uma representação do que seria de fato o produto e validar sua viabilidade.

A proposta da validação é realizar experimentações com um grupo específico de usuários, oferecendo-os as funcionalidades básicas para que seja possível compreender se a proposta supre suas necessidades e o satisfaz. Os feedbacks dos usuários trarão suas compreensões sobre o produto, as quais servirão de base para melhorias contínuas, até que o cenário seja favorável para o desenvolvimento do produto final.

Como funciona?

Assim como o Design Sprint, o tempo para a realização de um Lean Inception é de 5 dias. 

  • 1º dia – Visão do Produto: nesse dia, é realizada a reunião de kick-off para apresentação e orientação da equipe, assim como o alinhamento dos objetivos do projeto. Ao final do dia é criada uma frase com a visão do produto. 
  • 2º dia – Personas: é realizada a identificação das personas: com nome, perfil, comportamento e necessidades, através da aplicação de Mapa de Empatia; também é realizado um brainstorming para identificar quais características o produto precisa ter (features) para atingir os objetivos e atender as necessidades das personas.
  • 3º dia – Features: no dia anterior, os features foram identificados e, nesse dia, serão discutidos e nivelados; esse nivelamento permitirá que sejam definidas as prioridades, as estimativas e o planejamento do projeto.
  • 4º dia – Jornadas do usuário: são descritas as jornadas do usuário, mapeando cada etapa de envolvimento do usuário com o produto, sob as perspectivas de negócio, UX e tecnologia; 
  • 5º dia – MVP: é preenchido um canvas com a proposta de MVP e apresentado aos stakeholders, o qual será avaliado se estiver de acordo com os objetivos propostos; também são especificados os primeiros passos para a validação.

Quais os desafios?

  • Nenhuma metodologia é milagrosa – geralmente as empresas acreditam que essa abordagem é milagrosa para se criar um produto primoroso e que sua aplicação é capaz de prever todos os problemas possíveis. Mas não há nenhuma metodologia totalmente assertiva. Qualquer dinâmica de aceleração visa minimizar ao máximo os riscos e problemas, mas não há como assegurar que nada acontecerá. Para evitar situações como essa, é importante que, antes de ser aplicada, essa dinâmica esteja muito bem alinhada ao que se espera do produto final.
  • Os itens levantados podem ser modificados – algumas vezes, acontece de os participantes tomarem o que foi definido durante a dinâmica como verdade absoluta, como se o que fosse decidido nessa etapa não pudesse ser alterado depois. Todavia, a intenção em validar o MVP criado é justamente para perceber como o usuário irá reagir a cada feature proposto e, a partir dessas experiências, propor melhorias contínuas. Dessa forma, é comum surgir a necessidade de se alterar alguns pontos que foram estabelecidos durante a dinâmica.
  • Aderência dos participantes – uma das maiores dificuldades da aplicação de uma Lean Inception é conseguir a aderência dos participantes. Geralmente, os integrantes da equipe vão perdendo o interesse na dinâmica e deixando de participar conforme o passar dos dias. Como forma de prevenir que essa evasão aconteça, é importante selecionar bem os participantes, escolhendo pessoas realmente engajadas com o projeto e deixar a importância desse trabalho bem explícita.
  • O MVP não é o produto final – pode acontecer de o MVP ser validado e, depois disso, poucas alterações serem necessárias. Quando isso acontece quer dizer que foi construído um MVP bastante arraigado aos objetivos e às necessidades dos usuários. Contudo, também pode acontecer o oposto: de o MVP precisar de muitas alterações ou de a empresa que contratou (ou até mesmo os participantes) não gostarem do MVP. É interessante deixar bem claro que o MVP se trata de uma solução primária, seu foco é priorizar o essencial e deixar as funcionalidades menos relevantes em segundo plano e, a partir dos feedbacks da validação, melhorias serão propostas. A ideia da Lean Inception é exatamente essa!

Quando aplicar uma Lean Inception?

Vimos que a ideia da Lean Inception é criar uma proposta de MVP para validar hipóteses e incrementar funcionalidades progressivamente. Esse método é uma maneira efetiva para se gerar aprendizado, orientar e acelerar ideias, minimizando tempo, investimento, esforços e riscos. 

A realização de uma Lean Inception faz sentido para projetos auspiciosos, mas que ainda estão em fase embrionária, com cenários incertos e sem definições de escopo, jornada, usuários e funcionalidades. Pode ser aplicada em grandes ou pequenos projetos, para empresas de qualquer porte e também para startups, sendo uma ótima alternativa para fundamentar a criação de novos produtos.

Acha que essa técnica pode ser aplicada para seu produto? Quer saber mais sobre ela? Entre em contato com a gente!

Juliane Scoton
postou 16/07/2021

Juliane é UX Designer na Mentores Digital e mestranda em Design pela UFPR, realiza pesquisas nas áreas de Design Centrado no Usuário, Design da Informação, Educação e Tipografia.

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