Acessibilidade virtual: como ter um site acessível a todos?

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Acessibilidade virtual: como ter um site acessível a todos?

Algumas coisas que fazemos pela internet:

  1. ler notícias;
  2. pagar contas;
  3. comprar comida;
  4. pedir um motorista particular por meio de aplicativos;
  5. consumir conteúdos (textos, imagens ou vídeos);
  6. assistir a aulas.

Poderia fazer um post inteiro em lista, mas esse não é o tema. O tema é acessibilidade. E o que tudo isso tem a ver? Bem, feche os olhos e imagine realizar uma destas tarefas sem enxergar, sem ouvir ou até mesmo uma dificuldade como dislexia.

Difícil? Impossível?

Semana passada eu tive que fazer um exame e, para isso, me aplicaram um colírio dilatador. Foram cinco horas de puro desespero. Cinco horas que eu não conseguia abrir o olho sem reclamar da claridade e de como eu não conseguia enxergar direito. Foi aí que eu percebi algumas coisas:

  • Primeira: cinco horas é tempo demais;
  • Segunda: eu me tornei totalmente inútil sem a minha visão (nem colocar música para tocar eu fui capaz, sem antes testar muito a minha paciência);
  • Terceira: graças às ferramentas de acessibilidade, eu “sobrevivi” a esses 300 minutos.

Sabe quando esbarramos a mão no botão do celular e aciona a Assistente Google sem querer? Pois bem, quando não é acidental e interrompe a música ou o vídeo na melhor parte, ela é muito útil. “Google, toque a playlist X no Spotify”, “Google, ligue para Mãe”…

Por cinco horas a Assistente Google foi a minha melhor amiga. Até piadas ela me contou!

No mundo físico é visível a todos a acessibilidade quando há. Nas calçadas públicas, conseguimos ver ou sentir as elevações indicando o caminho para pessoas deficientes visuais. Nos elevadores, os botões estão identificados em braile e indicações sonoras, ônibus têm elevadores para deficientes físicos, semáforos com sinalização sonora, e assim vai.

Mas e no mundo digital?

Segundo a Lei Brasileira da Inclusão (LBI) Art. 3º, inciso I, a acessibilidade é a “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.”

Ou seja, a LBI assegura a acessibilidade nos meios digitais também. O Art. 63 diz que “é obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.”

Mas quantos sites que você acessa possuem acessibilidade?

A Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) é a referência de padrão mundial para a maioria das legislações relacionadas à acessibilidade de sites. O documento criado pela The World Wide Web Consortium (W3C) estabelece quatro princípios que servem como guia para a produção de conteúdo nos meios digitais entre outras boas práticas:

Perceptível

Elementos e informações devem ser percebidos pelos sentidos, ou seja, nada deve ser indetectável ou estar invisível. Todo elemento não textual (controles, entradas, vídeos, áudios, sensorial, entre outras) deve ter a sua alternativa descritiva em texto.

Operável 

Os componentes de interface de usuário e a navegação devem ser operáveis, ou seja, acessíveis pelo teclado, deve ser fornecido tempo suficiente para a leitura, não pode provocar danos à saúde (por exemplo, convulsões) e deve fornecer maneiras alternativas para se navegar, além da rolagem (menu de navegação, por exemplo).

Compreensível

As informações devem ser compreensíveis, ou seja, apresentadas de forma legível e simplificada. Em um e-commerce, a experiência de compra de um cego, por exemplo, precisa ser prática e sem impactos. 

Robusto

O conteúdo deve ser robusto o suficiente para poder ser interpretado de forma confiável por uma ampla variedade de agentes de usuário, incluindo tecnologias assistivas. Ou seja, o conteúdo da página deve ser completo ao ponto de ser compatível com diferentes tecnologias sem perder a qualidade.

Assim, caso um site não siga os quatro princípios, não será acessível a todos os usuários. Sabendo disso, como um site garante a sua acessibilidade? Se você respondeu “por meio de testes de UX”, você está 80% correto. Testar com o usuário sempre é importante, principalmente quando falamos sobre ter um site acessível.

Acessibilidade virtual: em um fundo branco, ao meio da imagem, temos a ilustração de um homem. Vestido de camisa azul, gravata preta, calça preta, cinto marrom, meia branca e tênis azul, ele aponta à direita para um celular de seu tamanho, enquanto segura um tablet. Na tela desse celular, temos a ilustração de um outro homem. De óculos, camisa branca e gravata azul, ele pergunta "Olá! Tudo bem?".

Não podemos esquecer que os requisitos básicos para proporcionar um bom UX Design é atender os anseios e as necessidades específicas dos usuários, possibilitando uma boa experiência. Para isso, não bastam elementos visuais, mas também diagramação e arquitetura que reflitam o que o usuário espera do sistema.

Além de nos preocuparmos com os elementos básicos, precisamos prestar atenção no contraste da fonte com o fundo, tamanho da fonte, se há legendas descritivas para as imagens e gráficos, se pessoas daltônicas conseguem navegar sem problemas, se os vídeos estão legendados e muito mais. Por isso, apenas com usuários que realmente precisam das ferramentas de acessibilidade, é que o UX Test será eficiente.

Todavia, o UX Designer não é o único responsável. Para um bom desenho e desenvolvimento de um site acessível, precisamos da base textual, ou seja, o Redator precisa ser perfeccionista e ter o esqueleto de todo o site (eu gosto da expressão “site por extenso”). O UX Designer e o Redator utilizam técnicas e ferramentas especiais para descobrir quais elementos e caminhos serão mais interessantes para o cliente/usuário, levantando as informações mais relevantes para isso.

“Acessibilidade Digital é a eliminação de barreiras na Web. O conceito pressupõe que os sites e portais sejam projetados de modo que todas as pessoas possam perceber, entender, navegar e interagir de maneira efetiva com as páginas” – Governo Digital.

Viu como não é fácil abraçar a todos e ter um site acessível?

Por isso, tente se colocar no lugar de seus usuários. Comece a se atentar se o texto está legível no fundo que escolheu, se os links estão visíveis e de fácil acesso, se todas as imagens estão com descrição, se a usabilidade é prática e simples, se a navegação por teclado é fluida, se os vídeos estão legendados e/ou possuem intérpretes de Libras e assim por diante.

Confira o workshop que rolou com o nosso time sobre o assunto.

Acessibilidade virtual: dentro de um box azul com as suas bordas arredondadas, temos o título "E aí, já pensou em deixar seu projeto acessível?" em azul escuro e o subtítulo "Venha conversar com a gente!" em branco e negrito. Ao lado, separado por uma barra branca, temos o logo da Mentores Digital em branco. Sobre o box azul, temos o ícone de uma setinha de mouse em branco e com contorno em preto.

Bárbara
postou 01/07/2022

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