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Marketing Digital

Por Delvair Macedo - 28/07/2016

Interface Writing: como criar uma página amigável para o seu consumidor

Ultimamente, em um mundo cada vez mais tecnológico e com tarefas cada vez mais automatizadas, um toque de humanidade se torna um diferencial. O Interface Writing tem a função de tornar a interação do usuário a mais amigável possível, fugindo do tratamento comum de robô e trazendo o melhor do UI para o leitor.

interface writing

Tudo tem instruções.

Em todo lugar que você for, irá se deparar com um comando. Placas de PARE ou portas sinalizadas com “empurre” e “puxe” são exemplos sutis. Na internet, a história é a mesma. “Faça seu cadastro”, “curta a nossa página no Facebook”, “clique aqui”. Os exemplos são inúmeros.

Agora pense em como esses comandos são passados a você. Todos parecem iguais, automatizados, não? Pode ser que não te incomode, aliás, são apenas botões e coisas do tipo. Mas se você se deparar com uma forma diferente de abordagem, pode ter certeza que isso mudará significativamente a sua forma de ver.

All you need is love.

Estudos comprovam que o ser humano, quando tratado com educação e afeto, reage sempre de forma positiva. Atividades ou favores pedidos com gentileza são realizados com gosto e, consequentemente, com melhor aproveito. Além disso, é importante lembrar o impacto que um tratamento humano traz, gerando apego ao remetente.

Mas o que isso tem a ver com UI ou Interface Writing?

UI Design consiste basicamente no Design de Interface do Usuário, ou seja, a interação de alguém com uma página, um aplicativo ou software. Consiste nos botões, navegações, tours, modais, mensagens de erro, entre outros tipos de ação. É aqui que entra a chamada Interface Writing, o conteúdo criado para esses tipos de comandos. São eles “fazer login”, “inscrever-me”, “salvar”, “senha inválida”, entre muitos outros. A forma que são criados, influencia muito na experiência do usuário. É preciso usar as palavras para atrair o seu público, não apenas aspectos visuais criativos.

“Código para Humanos.”

Se você conhece o seu público-alvo (Link para post Personas), é muito fácil conversar (Link para post Tom e Voz) com ele e definir o melhor tipo de conteúdo (Link para o post Guia de Estilo de Conteúdo). É preciso lembrar: os textos sempre são criados para um ser humano, então por que não conversar como um? Interagir com uma página onde seus detalhes são voltados especialmente para o usuário fazem diferença.

Veja o exemplo da Ovelha Negra, uma marca de lingeries, com conteúdo gerado pela Mentores. Ao invés de pedir que a consumidora entre em contato com a marca usando um comando sério e padrão, o ato foi indiretamente solicitado de forma como se a marca estivesse conversando pessoalmente com a mesma. Agora imagine trocar isso por “favor entrar em contato com a Ovelha Negra”. Chato, não?
O exemplo acima foi tirado do Google Maps- Street View Treks. No caso, ele mostra os detalhes do Yosemite National Park, um parque norte-americano. Note que no botão para realmente explorar a ferramente e ver as imagens do parque está escrito “Start The Climb”, ou “Comece a Escalada”. Ao invés de um botão simples como “Começar”, “Explorar” ou “Próximo”, por exemplo, é usado um trocadilho com a função e o assunto abordado. Pode ser um exemplo mais sutil do que os que estão por vir, mas isso depende muito do seu público-alvo e da mensagem a ser passada. Mesmo assim o Google conseguiu tirar proveito e teve uma sacada bacana no conteúdo desse comando.

O MailChimp é bastante conhecido pela forma que conversa com seus usuários. Veja, no exemplo acima, a mensagem de erro que eles apresentam quando você tenta criar um usuário já existente. “Outro usuário com esse nome já existe. Talvez seja o seu gêmeo do mal. Assustador.” O humor do recado mostra a personalidade brincalhona (sem exagero) da marca, além de torná-la atrativa para o público.

Não é bom desfrutar da atenção que a marca está dando para você? A Enjoei é outra marca famosa pela sua linguagem próxima do consumidor, dessa vez de forma mais acolhedora e afetiva. Veja os botões, as categorias, as frases e recados. Esse tipo de tratamento causa empatia e deixa o usuário com um sentimento de que é importante para a empresa.

E ele realmente é.

Uma marca grande é aquela que se baseia na satisfação dos seus clientes. Mostrar que ele é importante e reforçar essa mensagem é um dos fatores que o torna fiel. Conversar com ele de forma humana, traz esse sentimento. E você tem noção do quanto um cliente fidelizado pode fazer pela sua empresa? Ele é quem compra, usa, segue, recomenda e traz mais clientes fiéis para você, de forma constante. Por que não tratá-lo com o mesmo valor? E por que não conquistar outros clientes da mesma forma?

Antes de por em prática…

É bom que você tenha em mente alguns fatores. Se coloque no lugar do usuário e pense na atividade que ele está exercendo. O que ele está tentando fazer? Como deve estar se sentindo? Como chegou onde está? O que acontecerá depois? O que é preciso que ele entenda sobre o comando? Por que isso importaria para ele? Com essas perguntas respondidas, decida-se quais são as melhores palavras a dizer para que tudo ocorra com sucesso e que ele entenda a mensagem de forma humana e clara.

Coloque em sua cabeça (e no seu conteúdo)

Defina se a sua linguagem tratará de “eu” ou “você”. Por exemplo: “quero me inscrever x inscreva-se”. Entende a diferença? É importante que isso fique padronizado nos comandos, para que o usuário não se perca. Outro ponto é o clássico: evite exageros! Pense muito bem no seu público-alvo. Todos gostam de ser bem tratados e receber uma atenção, mas evite a síndrome da namorada grudenta ou a do tiozão que acabou de aprender gírias. Converse de forma normal com o seu usuário.

Não seja um robô!

Não importa qual a relevância do conteúdo que será criado. Se o usuário, ao ler, sentir que a marca está conversando e se dirigindo a ele, os resultados virão. Além de ser algo divertido de criar, se torna muito mais fácil do que seguir o padrão de conversa robótica que muitas interfaces ainda adotam. Não tenha medo e tente, experimente. Se não atrair seu público, mude a conversa. Apenas não o trate como mais um usuário com respostas prontas.

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